Benefícios do low-code ao serviço da automação

O low-code é a solução para a transformação digital de muitas empresas, pois acelera o processo de desenvolvimento, com custos reduzidos. Além disso, permite contornar a falta de profissionais de TI no mercado.

A eternamente adiada transformação digital acabou por ter um forte impulso com a pandemia. Os confinamentos e medidas extraordinárias com que tivemos de lidar durante perto de dois anos perturbaram todos os aspectos da vida pessoal e profissional, mas existe sempre o reverso da medalha. Desde o primeiro momento, quando as empresas foram obrigadas a colocar os colaboradores a trabalhar remotamente, se sentiu a aceleração da mudança de processos para ambientes virtuais.

É importante continuar a trabalhar na transformação digital, agora a um ritmo não tão urgente, mas, sem dúvida, importante e necessário. Para que a sua organização se mantenha a par do que o mercado está também a fazer.

Segundo dados oficiais norte-americanos, existem 1,4 milhões de vagas para engenheiros de computação por preencher, simplesmente porque não existem profissionais suficientes. Na Europa faltam mais de dois milhões de profissionais.

São assim muitos os benefícios do low-code ao serviço da automação, e a solução para muitas empresas. Aliás, a Forbes considerou o low-code/no-code como «a tendência mais disruptiva de 2021».

Low-code: uma tendência entre as tendências

O low-code é então a tendência mais disruptiva de 2021, mas não é a única. Os ingredientes para uma transformação digital de sucesso são: automação, experiência do utilizador e do cliente, a Internet das Coisas e, naturalmente, o low-code/no-code.

Automatizar a automação (hiper-automação)

Uma das tendências tecnológicas identificadas pela Gartner, em 2020, foi a hiper-automação. Se antes, esta tecnologia já estava a ser utilizada por empresas de variadas indústrias que adoptam novas tecnologias logo no primeiro momento, com essa recomendação a generalidade das empresas começou a reconhecer a sua utilidade e necessidade. «A hiper-automação deixou de ser uma opção para ser uma condição de sobrevivência», disse Fabrizio Biscotti, vice-presidente de pesquisa da Gartner. 

A hiper-automação assenta num conceito simples e agnóstico em termos de tecnologia: alguma coisa que possa ser automatizada pode – e deve ser – automatizada utilizando as melhores ferramentas disponíveis.

É o ideal para desempenhar processos de negócio complexos, ao combinar várias tecnologias e inovações como Inteligência Artificial (IA), Aprendizagem Automática (ML) e Robotic Process Automation (RPA).

A hiper-automação permite descobrir e analisar padrões, identificar e executar oportunidades de maior automação. A hiper-automação melhora automaticamente ao longo do tempo tornando-se mais rápida e mais inteligente. Outra vantagem da hiper-automação é libertar os colaboradores de tarefas operacionais low-level, tornando-os mais eficientes e criativos.

"A hiper-automação levará a uma redução de 30% nos custos operacionais a partir de 2024 – Gartner"

Intervenção humana é essencial

Não se pense que a automação e a tecnologias self-service irão eventualmente eliminar as tarefas manuais, em particular no serviço ao consumidor. As pessoas gostam de falar com pessoas e estas são vitais para experiências de consumidor positivas.

Por isso será necessário integrar processos automatizados com métodos tradicionais. Um estudo recente, no Reino Unido, revela que 41% dos utilizadores de aplicações web self-service também tiveram de contactar por telefone ou correio electrónico durante os processos de resolução do problema. E assim continuará a ser.

É imprescindível uma experiência sem descontinuidade – alternando entre self-service e contacto humano –, até porque 84% dos consumidores dizem que a experiência fornecida pelas empresas é tão importante como os seus produtos ou serviços.

«Para construir e manter experiências do consumidor positivas, deve colocar o consumidor em primeiro lugar» - Adorján Bortnyák, managing partner, Geomant

«Conhece-me», diz o cliente

Cada um de nós tem a sua própria impressão digital virtual, consequência da miríade de interacções online com empresas e organizações. Estas «identidades tecnológicas» são os alicerces do conhecimento e são uma oportunidade para as organizações conhecerem melhor as preferências e comportamentos dos consumidores.  São também uma oportunidade para desenvolver relações baseadas na experiência, personalizadas e ricas que conduzem à satisfação e lealdade do cliente.

As empresas têm a informação sobre os clientes ao seu alcance. O primeiro passo para ter acesso à mesma é compreender quais são as tecnologias a que os seus clientes têm acesso (interacções em apps, serviços por voz – como a Alexa da Amazon – ou dispositivos inteligentes em casa). As organizações devem identificar quais são as mais relevantes para o seu negócio. Depois devem fazer uma boa gestão de dados, combinando a informação que já dispõem sobre os clientes com os dados obtidos através daquelas identidades tecnológicas.

É preciso lidar com estes processos rápida e eficientemente para acelerar o time to market, envolvendo as equipas que lidam directamente com os clientes para os ajudar a melhorar a experiência do consumidor, e é nesse sentido que estão as ferramentas low-code ao serviço da automação.

Segundo a Accenture, 75% dos negócios acreditam que a informação demográfica digital pode contribuir para aumentar significativamente a oferta dos seus produtos e serviços.

Tire partido da Internet das Coisas

A Internet das Coisas (IoT) é um dos principais impulsionadores da digitalização. É mais que tecnologia, é um conjunto de componentes tecnológicos e não só que, em conjunto, melhoram a forma como vivemos.

O IoT 2.0, além de conectar dispositivos uns com os outros, adiciona serviços e processos que permitem a intervenção de humanos. É também conhecida como a Internet da Transformação em que tecnologias e experiências humanas se integram perfeitamente. Quando se criam fluxos de processos deve ter-se em conta que os seres humanos não são máquinas e que tomam decisões de última hora pelo que se deve contemplar essas variáveis.

De acordo com o Barómetro IoT da Vodafone, 76% dos negócios consideram o IoT crucial para o sucesso futuro, e 48% já estão a utilizá-lo para suportar a transformação do negócio em larga escala

Acelere o low-code/no-code

Actualmente, não existem programadores nem profissionais de TI suficientes para dar resposta às necessidades globais do mercado. Na prática, a procura de aplicações de negócio é cinco vezes superior à capacidade de TI, o que obriga as organizações a confiar em fornecedores externos dispendiosos. Colocar ferramentas low-code ao serviço da automação permite aos utilizadores de negócio desenvolver soluções com pouca ou nenhuma formação em código, libertando a mão-de-obra mais especializada para projectos de alto nível, como investigação & desenvolvimento.

As ferramentas e plataformas low-code e no-code utilizam interfaces drag-and-drop permitindo a não-programadores – como analistas de negócio – criar e modificar aplicações. Em alguns casos é necessário a utilização de código para integrar com outras aplicações, gerar relatórios ou modificar a interface do utilizador.

As ferramentas low-code e no-code são também chave para gerir bem a big data, uma vez que esta passa a estar disponível em unidades conhecidas e compreensíveis e não escondida atrás do código.

A Gartner diz que, dentro de cinco anos, 65% dos desenvolvimentos serão feitos internamente, tirando partido do low-code/no-code, com o suporte de bots de Inteligência Artificial.

Algumas ideias-chave:

  • Considere programas de formação básicos para utilizadores low-code;
  • O low-code pode levar à reorganização das equipas ao reafectar recursos especializados a novos projectos como, por exemplo, I&D;
  • Nem todas as ferramentas low-code são agnósticas. Assegure-se que qualquer nova plataforma integra com os seus processos e sistemas existentes. A Plataforma Unik, garante esse robustez de integração com sistemas existentes, tendo já incorporadas as preocupações de segurança de informação.

Vantagens de plataformas low-code

O low-code permite aos não-programadores criar apps em poucos cliques. Ou seja, o Low-code ao serviço da automação, no sentido em que acelera a criação de aplicativos. Mas tem muito mais benefícios. Pode-se fazer muito mais com muito menos esforço.

Velocidade

O low-code ajuda todos a criar software rapidamente. Com poucos cliques, os utilizadores podem criar uma página e o ciclo clique-compilação-teste é rápido. As ferramentas fazem o que é suposto e estão em funcionamento de imediato. Não deixe, no entanto, a rapidez sobrepor-se ao planeamento e ao pensamento crítico e estratégico.

Estabilidade

O software de fabricantes personalizado é difícil de manter e dispendioso para as empresas. As ferramentas low-code poupam tempo e dinheiro e amortizam os custos de suporte das diferentes instalações. Os fornecedores estão atentos às novas regulamentações e legislação e quando fazem as alterações ao software estas são instaladas em simultâneo para todos os utilizadores. Os interesses da comunidade estão alinhados, pelo que é possível ter muito mais estabilidade nas soluções do que se a gestão fosse feita apenas internamente.

Capacitação

Uma boa plataforma low-code ajuda o departamento de TI e pode desencadear o génio criativo de colaboradores do negócio que têm grandes sonhos, mas orçamentos reduzidos para financiar uma equipa de desenvolvimento. Agora, as pessoas do negócio podem passar horas a testar e experimentar uma ideia em lugar de escrever extensos documentos de especificações e orçamento. Atenção: os utilizadores precisam de ter conhecimentos básicos sobre como funcionam os computadores e as plataformas low-code, para conseguirem implementar Provas de Conceito (PoC) viáveis.

Consistência

O mundo funciona melhor porque existem normas. O acelerador e o travão estão sensivelmente no mesmo local seja em que veículo for; as fichas e as tomadas têm o mesmo sistema (pelo menos dentro de cada país); os teclados dos computadores regem-se também por padrões.

A grande vantagem de produzir uma aplicação com low-code é que provavelmente irá tirar partido de uma colecção já conhecida de interfaces de utilizador e bibliotecas de código, reutilizáveis. O seu código será relativamente padrão, mesmo que não intencionalmente, porque está a (re)utilizar as mesmas ferramentas que outros.

Segurança

As plataformas low-code são criadas de raiz para lidar com os desafios mais comuns como segurança e privacidade dos dados e todos os que contribuem para a mesma acompanham constantemente os ciclos de melhoria (R&D). Sejam alterações legislativas ou resposta a ataques à cibersegurança, as actualizações partilhadas permitem mitigar rapidamente estes riscos. A plataforma preocupa-se com os desafios transversais aos utilizadores, enquanto estes se podem focar nos seus processos de negócio.

Simplicidade 

As ferramentas low-code são desenhadas para ser mais simples, precisamente para que se possa focar no negócio. Os programadores da plataforma low-code trabalham para criar valor na construção do conjunto de ferramentas que são fáceis de adoptar e alargar o seu âmbito de utilização. Atenção que não é um milagre, mas é bem mais simples que voltar aos bancos da escola estudar programação de raiz e começar do zero.

Segurança integrada (by design)

Atenção que low-code não é sinónimo de menos riscos. Ao permitir que mais pessoas nas empresas desenvolvam aplicações, representa novos riscos na criação de vulnerabilidades que podem esconder problemas de segurança.

Por isso, como em qualquer outro software, o rigor no desenvolvimento da plataforma e o código associado é uma preocupação que não pode ser descurada e deve ser auditada com frequência.

Em suma:

  • compre software e plataformas de fornecedores de confiança com reputação no mercado, regularmente auditadas;
  • assegure que esses fornecedores têm certificações de terceiros;
  • contabilize as plataformas de low-code e no-code nos seus inventários de software, bem como as aplicações criadas através do seu uso;
  • mantenha bons controlos de acesso quer à plataforma quer às actividades que podem desempenhar;
  • implemente práticas de dados seguros para compreender onde residem os seus dados críticos e se as aplicações criadas utilizando plataformas low-code ou no-code hospedam dados sensíveis (RGPD);
  • Saiba onde estão hospedadas as plataformas low-code/no-code. Estão hospedadas em fornecedores de serviços cloud globais (CSP) – como a AWS, a Google ou a Microsoft Azure –, ou em centros de dados on-premises com controlo de acesso lógico ou físico limitado (ISSO 27001) ou inexistente?

Repense, se necessário, a cultura de segurança da sua empresa.

O low-code no onboarding digital de clientes da banca

As empresas financeiras – incluindo as fintech – estão a tirar partido de todas estas vantagens do low-code na criação de ferramentas de onboarding digital de clientes. A velocidade do onboarding aumentou, o custo reduziu-se e a capacidade de adesão de novos clientes aumentou quatro vezes. Também o TCO da conformidade e as avaliações de Know Your Customer (KYC) melhoraram

Caso de uso

Uma instituição financeira aumentou 80% a velocidade de onboarding de clientes em relação a um processo manual. Sem mexer na equipa de backoffice, reduziu 90% o custo e aumentou quatro vezes a capacidade de onboarding.

Além disso, com um motor de análise de riscos e scoring melhorado, a aprovação de crédito aumentou 20%, o workload de origem diminuiu 30%, a rentabilidade melhorou 45% além de ter reduzido o crédito mal-parado (-15%).

Os clientes estão preparados e dispostos a mudar de fornecedor de serviços financeiros (como o demonstram empresas como a Revolut ou a N26 que rapidamente conquistaram a sua base de clientes), o que é uma oportunidade também para os serviços financeiros tradicionais.

Com parceiros como a Uniksystem, é possível redesenhar os processos de onboarding existentes e incrementar positivamente a experiência do cliente simplificando os processos burocráticos do negócio.

Os clientes já demonstraram não ter medo. Ainda tem receio de inovar?

Jorge Pereira @ Joyn Group

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