A 7 de junho de 2026, a Directiva Europeia 2023/970 sobre Transparência Salarial entra oficialmente em vigor. Faltam menos de 90 dias. Para as organizações que ainda não começaram a preparação, a pergunta já não é “se devemos agir” — é “conseguiremos estar prontos a tempo?”
Segundo a Mercer, apenas 28% das empresas europeias têm hoje um sistema robusto de auditoria salarial. As restantes arriscam multas, processos laborais e, talvez pior, danos reputacionais irreversíveis. Este artigo é o guia prático para a transparência salarial que faltava.
1. O Que a Directiva Exige: Os 5 Pilares da Transparência Salarial
A Directiva UE 2023/970 não é apenas sobre publicar salários. Introduz obrigações estruturais que tocam todo o ciclo de vida do colaborador:
Pilar 1 — Transparência pré-contratual: Os candidatos têm direito a conhecer a faixa salarial antes da entrevista. Proibido perguntar o salário anterior.
Pilar 2 — Direito à informação: Qualquer colaborador pode solicitar dados salariais agregados por género para funções equivalentes.
Pilar 3 — Relatórios obrigatórios: Empresas com 100+ colaboradores devem publicar relatórios de disparidade salarial por género. O limiar desce para 150+ em 2027 e 100+ em 2031.
Pilar 4 — Avaliação conjunta: Se a disparidade de transparência salarial exceder 5% sem justificação objectiva, a organização é obrigada a realizar uma avaliação conjunta com os representantes dos trabalhadores.
Pilar 5 — Inversão do ónus da prova: Em disputas salariais, cabe ao empregador provar que não houve discriminação — não ao colaborador provar que houve.
2. Diagnóstico: Onde Está a Sua Organização?
A McKinsey revela que as disparidades salariais raramente são intencionais — resultam de acumulação de viés ao longo de anos: negociações informais, progressões desiguais, funções equivalentes com títulos diferentes.
Um diagnóstico eficaz de transparência salarial requer três fases:
Fase 1 — Mapeamento de funções: Identificar grupos de “trabalho de igual valor” (não apenas títulos idênticos, mas funções com complexidade, responsabilidade e qualificações equivalentes). A Directiva exige critérios objectivos e neutros em termos de género.
Fase 2 — Auditoria salarial: Analisar remuneração total (base + variáveis + benefícios) por género, função, antiguidade e localização. Ferramentas de people analytics são essenciais aqui — folhas de cálculo não escalam.
Fase 3 — Gap analysis: Identificar onde existem disparidades superiores a 5% e avaliar se há justificação objectiva (experiência, desempenho documentado, mercado). Sem justificação? Plano de correcção obrigatório.
A plataforma UnikPeople da Uniksystem oferece módulos específicos para esta auditoria de transparência salarial: mapeamento automático de funções com base em competências, analytics salariais com filtros por género, e dashboards de compliance que sinalizam automaticamente disparidades acima do limiar.
3. O Roteiro de 90 Dias: Da Auditoria à Compliance
Para as organizações que iniciam agora, há um caminho crítico para a transparência salarial:
Semanas 1-2 — Governance: Nomear um responsável de compliance salarial. Envolver jurídico, RH, finanças e representantes dos trabalhadores. Definir scope e timeline.
Semanas 3-5 — Dados: Consolidar todos os dados salariais numa única plataforma. Limpar inconsistências (títulos duplicados, funções sem classificação, variáveis não rastreados). Este passo é onde 60% dos projectos encalham.
Semanas 6-8 — Análise e correcção: Executar a auditoria, identificar gaps, e definir acções correctivas. Ajustes salariais retroactivos podem ser necessários. Comunicar internamente antes de publicar externamente.
Semanas 9-12 — Estruturas permanentes: Implementar políticas de bandas salariais por função, processos de revisão periódica, e relatórios automatizados. A transparência salarial não é um projecto — é uma prática contínua.
4. Além da Compliance: A Transparência Salarial Como Vantagem Competitiva
O argumento puramente legal não conta toda a história. A Glassdoor revela que 67% dos candidatos consideram a transparência salarial um factor decisivo na escolha de empregador. A Deloitte acrescenta que organizações com políticas de transparência salarial registam reduções de 25-30% no turnover.
O paradoxo é revelador: muitas organizações temem que a transparência salarial gere insatisfação, mas os dados mostram o oposto. A insatisfação vem da percepção de injustiça, não do conhecimento dos números. Quando os colaboradores compreendem a lógica salarial — critérios claros, bandas definidas, progressão transparente — a confiança aumenta.
Portugal tem aqui uma oportunidade única. O tecido empresarial é dominado por PMEs que, pela sua dimensão, podem implementar transparência salarial mais rapidamente do que grandes corporações. E os fundos do PRR e Portugal 2030 contemplam investimentos em digitalização de RH que podem financiar estas transformações.
5. O Papel da Tecnologia: De Manual a Automático
A compliance com a Directiva 2023/970 é, na sua essência, um desafio de dados e processos. As organizações que tentam gerir a transparência salarial com folhas de cálculo e emails vão falhar — não por falta de vontade, mas por falta de escala.
Uma plataforma de gestão de RH integrada — como o UnikPeople — permite:
- Classificação automática de funções com base em competências e responsabilidades (ISO 20700)
- Dashboards de pay equity em tempo real, com alertas automáticos para disparidades superiores a 5%
- Relatórios de compliance prontos para publicação, alinhados com o formato exigido pela Directiva
- Audit trail completo de todas as decisões salariais, protegendo a organização em caso de disputa
- Integração com payroll para garantir que ajustes salariais são implementados sem erros manuais
A diferença entre estar “quase pronto” e “pronto” reside, quase sempre, na qualidade da infraestrutura tecnológica de RH.
Bónus: Checklist de Compliance — Directiva 2023/970
- Responsável de compliance de transparência salarial nomeado
- Dados salariais consolidados numa plataforma única
- Funções mapeadas por critérios objectivos e neutros
- Auditoria salarial por género realizada
- Gaps superiores a 5% identificados e justificados/corrigidos
- Política de bandas salariais definida e comunicada
- Processo de revisão periódica implementado
- Relatório de compliance redigido
- Comunicação interna aos colaboradores concluída
- Processo de resposta a pedidos individuais de informação definido
Publicado por Eva Winter | Abril 2026

