Durante anos vendeu-se low-code com uma frase que soa bem e é meia verdade: construa os seus processos sem depender das equipas de TI.
Meia, porque funciona mesmo — para o formulário, para a aprovação em duas camadas, para o fluxo que se desenha numa manhã. E deixa de funcionar exactamente onde o negócio é interessante e complexo. Fechar esse buraco é para o que serve o low-code com IA.
Quando a lógica tem excepções. Quando há uma integração com outro sistema pelo meio. Quando a regra depende de uma tabela que muda em Janeiro. Nesse ponto o trabalho volta para quem sabe programar, e onde normalmente os projectos encalham; não por falta de plataforma, mas por falta de agenda de quem a domina. Qualquer pessoa que tenha comprado low-code reconhece a lista de pedidos que não avança. Continuam sempre lá.
A Release 7 «Touring» da plataforma Uniksystem, que sucede à R6 «Trinity», ataca esses desafios: traz low-code com IA para dentro do próprio ciclo de desenvolvimento.
Low-code com IA: o que muda de facto
É um erro descrever isto como produtividade de programador. Ninguém compra uma plataforma para escrever menos linhas.
O que muda é o prazo. Um processo aprovado em Setembro que entrava em produção em Fevereiro passa a entrar em Outubro. E quando o prazo muda, muda a decisão: passa a valer a pena automatizar coisas que antes não justificavam projecto — o processo médio, aquele que ocupa três pessoas meio dia por semana e nunca chegou ao topo da lista porque havia sempre algo mais urgente.
Para quem decide, o ganho tem três formas. Um processo em produção em semanas em vez de meses. Menos dependência de recursos escassos, internos ou de fornecedor. E a capacidade de alterar uma regra quando o negócio muda, em vez de a acumular numa fila.
O terceiro é o que pesa mais, e é o menos falado. Uma plataforma onde alterar uma regra custa três semanas de espera não é uma plataforma de agilidade — é um novo sistema legado.
Três obrigações legais, e todas caem no mesmo sítio
Este lançamento chega num ano incomum para as organizações portuguesas, porque há três exigências a convergir no mesmo ponto: o percurso de um documento e de uma aprovação.
O Regime Jurídico da Cibersegurança está em vigor desde Abril de 2026. Exige gestão de risco documentada, notificação de incidentes em 24 horas e responsabiliza pessoalmente os órgãos de gestão. O que isto pede na prática é conseguir dizer, com prova, quem viu e alterou o quê. Comprar segurança não responde à pergunta. Quando os dados vivem em ficheiros partilhados, essa pergunta não tem resposta.
A Directiva da Transparência Salarial entrega o primeiro relatório em Junho de 2027, e constrói-o sobre os dados de 2026 — os que estão a ser gerados agora, em cada processamento salarial. A acção que exige é deste ano: a informação tem de ficar classificada à entrada. Quem só arrumar a casa em 2027 vai construir o relatório sobre doze meses de registos que não foram pensados para a pergunta que lhes vai ser feita.
E o calendário da factura electrónica. Em Portugal, o PDF deixa de servir a 31 de Dezembro de 2026 e a factura estruturada em CIUS-PT passa a exigir assinatura ou selo qualificado a partir de 1 de Janeiro de 2027 — pela Lei n.º 73-A/2025, e com a ressalva honesta de que este prazo já escorregou duas vezes. O que não escorrega é o pacote europeu ViDA: reporte digital em EN 16931 a 1 de Julho de 2030, alinhamento de todos os sistemas nacionais a 1 de Janeiro de 2035. A norma europeia é o destino certo; o que está em discussão é apenas quando Portugal chega lá.
Nenhuma das três se resolve com uma aplicação. Resolvem-se com fluxo de trabalho auditável que deixa rasto: quem aprovou, quando, com que fundamento, e onde está o documento. É exactamente o que um motor de BPM faz — e é por isso que estas três obrigações aparecem juntas num texto sobre uma release de plataforma.
O que trava qualquer uma destas mudanças raramente é a lei ou a tecnologia: é a dimensão do que há para refazer, porque o circuito das facturas de fornecedor e a entrada de correio por onde chega o trabalho são, em qualquer empresa, os dois pontos mais antigos e menos documentados do processo, e mexer neles costuma ser um projecto de anos. É para isso que a plataforma tem soluções verticais já feitas, o InvoiceRouter para a qualificação e a aprovação da factura de fornecedor e o InboxRouter para transformar a caixa de correio numa fila de trabalho com dono e prazo, e é essa a diferença entre um ciclo de entrega de anos para um de semanas.
Para o director financeiro o desafio é aritmético. Qualificar uma factura de fornecedor leva quatro a seis minutos num fornecedor conhecido e cerca de quinze num novo, e com dez mil facturas por ano são cerca de 830 horas: meio posto de trabalho a tempo inteiro a decidir centro de custo, conta contabilística e código de imposto. E o custo maior não é esse. Um centro de custo trocado corrige-se no relatório seguinte; um código de imposto errado é um problema de IVA que aparece meses depois, numa reconciliação ou numa inspecção.
Para o director de operações o critério mede-se em dias. O trabalho que entra por correio electrónico não tem dono nem prazo até alguém o atribuir à mão, e é por isso que o fecho do mês depende de duas ou três pessoas saberem de memória o que está pendente. Quando uma delas falta, perde-se mais do que tempo: perde-se a capacidade de saber em que estado está cada processo.
E para quem tem a informática à sua responsabilidade há um quarto problema, que não é de conformidade nem de custo corrente: o software em fim de vida. Uma aplicação antiga que ninguém quer tocar, cujo autor já saiu e cuja tecnologia deixou de ter suporte, é hoje migrável com assistência de IA em semanas em vez de anos, e o nosso próprio ERP de contabilidade pública em SNC-AP foi feito assim, o que nos permite dizê-lo com o caso concreto em vez de o dizer como promessa.
Há uma parte disto que é sobre nós e não sobre o produto, e vale a pena revelá-la porque explica o resto: o nosso ciclo de DevOps corre com Master → Deploy Agents, com IA, e é isso que nos permite entregar mais de dez releases diárias por aplicação. O que costuma travar uma cadência dessas não é o desenvolvimento, é o que vem depois: administração de sistemas, infra-estrutura, janelas de manutenção e o pedido que espera pela pessoa certa. Com os agentes a fazer o percurso do master até ao deploy, esse peso passa a ser zero para as equipas de IT Admin, e é essa a razão pela qual conseguimos prometer semanas onde a indústria conta em trimestres.
A parte que é de calendário e não de conformidade
Há uma quarta data, e esta não vem de nenhuma lei. Vem da forma como estes sistemas funcionam.
Processamento salarial e ERP mudam na fronteira do exercício. A 1 de Janeiro entram tabelas de IRS novas, escalões de Segurança Social novos, saldos de abertura, exercício contabilístico novo. Mudar a meio significa correr dois sistemas em paralelo e explicar a quem audita porque é que os dois dizem coisas diferentes. Quase ninguém o faz.
Faça a conta ao contrário: uma migração com dados históricos, mapeamento de rubricas, processamento em paralelo e formação de quem vai usar o sistema precisa de alguns meses. Estamos em Setembro. Quem quiser entrar em 2027 com o circuito arrumado decide-o neste trimestre; quem não decidir fica com o que tem por mais doze meses — incluindo o ano de dados que o relatório da Transparência Salarial vai usar.
Uma ressalva: três meses podem não bastar. Nesses casos, o que se decide agora é o arranque de Janeiro de 2028, e mais vale saber isso em Setembro do que em Fevereiro.
Duas perguntas que não são sobre software
Para quem tem de decidir, há duas perguntas que separam quem consegue de quem não consegue, e nenhuma delas envolve escolher tecnologia.
Quantas pessoas na organização sabem, hoje, onde está cada dado de pessoal e cada factura de fornecedor? Se a resposta for uma ou duas, e essas duas coincidirem nas férias de Agosto, o problema já existe — a fronteira do exercício é só a data em que se torna visível.
E a segunda: o que acontece ao fecho do mês quando essas pessoas faltam? A resposta habitual é «atrasa». O que a resposta esconde é que a informação existe, está toda lá, e depende de memória humana em vez de sistema ou processo.
A Release 7 «Touring» não responde a nenhuma das duas. Muda antes o custo de as resolver, que é coisa diferente — e reflecte a enorme vantagem entre decidir este trimestre ou adiar por um ano.
Jorge Gamito Pereira
CEO | Uniksystem

